Por Trás do Brilho das Oportunidades: Como Avaliar Propostas Criativas e Evitar Armadilhas

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Se você é ilustradora, designer de personagens ou artista em início de carreira, já deve ter recebido aquela proposta tentadora:
“Participe de um projeto incrível que pode dar retorno financeiro e visibilidade no futuro.”

É sedutor, claro.
Mas também é o tipo de convite que deixa muita gente com o coração acelerado — para o bem e para o mal.

Como ex-administradora de uma grande comunidade de ilustradores no Facebook e profissional de gestão de projetos, já testemunhei talentos desperdiçados em situações que beiram o surreal. Horas, dias, até semanas de trabalho jogados fora em promessas vazias ou em projetos que nunca deveriam ter existido.

Por isso, quero deixar tudo muito claro:

Projetos falham muito menos por má-fé e muito mais por falta de planejamento — e isso também custa caro a você.

Ideias bonitas não pagam contas

Qualquer pessoa pode ter uma boa ideia.
Mas projetos profissionais só começam depois que:

✔ o orçamento para cada função está definido,
✔ a fonte de financiamento está garantida,
✔ e o pagamento pode ser negociado antes do trabalho começar.

Se a resposta para “Quando recebo?” for:

“Depende do sucesso do projeto depois que ele estiver pronto.”

Sinal vermelho imediato.

Isso geralmente significa:
“Eu decido o que é sucesso, e você recebe apenas se eu quiser — mesmo tendo trabalhado de graça.”

Pagamento e contrato: a base do profissionalismo

Um projeto sério sempre oferece:

✔ negociação clara de valor,
✔ contrato de prestação de serviços,
✔ prazos definidos,
✔ entregas detalhadas,
✔ possibilidade de reajuste se o escopo aumentar,
✔ e pagamentos parciais ao longo do processo (inclusive adiantamento).

Sem isso, não é trabalho — é aposta.

Direitos autorais: o coração do acordo

Antes de aceitar qualquer projeto, você precisa saber:

  • Quem será o dono das ilustrações?
  • Você receberá algo caso o projeto continue lucrando?
  • Haverá royalties? Créditos? Reutilização paga?

Arte não é só “trabalho manual”.
Arte é propriedade intelectual.
E propriedade intelectual tem valor econômico.

✦ Escopo claro = proteção contra abuso

Você precisa ter por escrito:

  • o que exatamente fará,
  • quanto tempo isso deve levar,
  • o que será entregue,
  • o que não faz parte do seu escopo.

Quando o escopo muda, o contrato muda.
Sempre.

Checklist antes do “Sim”

Pergunte a si mesma:

  • Existe orçamento garantido para me pagar?
  • Há contrato a ser assinado?
  • Meu papel está claro por escrito?
  • O que já existe além da ideia?
  • Quem ficará com os direitos da minha arte?
  • Existe cronograma realista?
  • A pessoa responsável tem histórico profissional verificável?

Se a maioria das respostas for “não”, a resposta certa é:
“Não, obrigada.”

O que você realmente está protegendo?

Não é só o seu dinheiro.
É o seu:

🎯 tempo
🎯 talento
🎯 energia emocional
🎯 crescimento profissional

Sonhos são lindos —
mas planejamento é o que paga as contas.

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